Tudo começou com um ato profano em lugar sagrado. Imaginem uma igreja católica, no interior do Rio Grande do Sul, na cidade de Santa Cruz do Sul que foi povoada por alemães no século XIX. Este templo sagrado era para ser um local de oração e de seguir os ensinamentos da bíblia, um lugar para encontrar pai, filho e espírito santo, mas tudo isto foi esquecido no final da década de 1970. Posso afirmar que, neste local, foi gerado um dos seres mais pecadores da história da humanidade.
Este ser gerado aos pés de cristo, em cima da mesa do altar, foi motivo de fofocas, acusações, moralismos entre outras coisas. A mãe deste pecador teve que fugir para a capital do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, para dar a luz ao seu amado filho. O pai deste amado pecador foi transferido para o interior do Mato Grosso. E isto tudo ocorreu porque o amor, sentimento mais diabólico, venerado como o maior valor cristão, se fez presente no corpo do padre daquela paróquia e no corpo de uma bela jovem cristã frequentadora da igreja.
Imagine, como um homem e uma mulher não vão sucumbir a um sentimento tão diabólico, o mais tentador de todos. Por isso inventaram que o amor é cristão, pois não tem como fugir dele e, se não podemos fugir, logo é coisa de Deus. Mentira, amor é coisa do “Demo”. E quando afirmo que o amor é diabólico, não digo que o amor seja algo ruim, pelo contrário, o amor é maravilhoso, justamente, por ser diabólico, pois neste nobre sentimento encontramos a desculpa perfeita para descumprir a regra mais babaca do cristianismo, o celibato.
E foi isto que o mais nobre sentimento demoníaco fez no padre daquela paróquia, deu a desculpa perfeita para o padre dar uma “trepada”, dar uma rapidinha, trocar o óleo, resumindo, fazer sexo com sua amada. Já na linguagem dos cristãos moralistas fazer amor, fundirem-se em um só corpo, crescer e multiplicar.
Sim, foi um momento sublime de amor entre o casal. Casal proibido por sinal! Um momento que só cristo presenciou, talvez, o demônio também. Foi Jesus que viu a jovem moça entrar pela porta central da Igreja e fechá-la. Foi cristo que viu primeiro ela vestindo uma saia que ia um pouco abaixo dos joelhos e bem justa às curvas de seu corpo, foi Jesus que viu primeiro a bela mulher, usando uma blusa branca bem transparente, com botões que fechavam um pequeno pedaço da blusa, deixando aparecer a barriga e os salientes peitos. Foi Jesus que viu ela soltar o cabelo e balançar a cabeça num movimento provocante jogando os cabelos para o lado. Talvez tenha sido Jesus que tenha ficado de membro ereto primeiro, pois ele viu a beleza daquela mulher antes do padre, mas Jesus estava pregado na cruz e não podia possuir aquele corpo sedento por amor. Assim, Jesus conformou-se em ver o padre ser atacado, ver aqueles dois humanos se confundirem em uma só pessoa, pois mãos e os braços se entrelaçaram em volta dos corpos, as bocas molhadas uniram-se e para facilitar a união destes corpos, jogaram tudo que tinha na mesa do altar no chão e, em cima dela, se entregaram um ao outro. Com certeza, neste momento Jesus pensou, porque não fiz isso quando era homem. Fico imaginando o que a estátua da virgem Maria pensou ao ver esta cena, talvez algo como, porque não fiz isso? Por que sou virgem? Anjo Gabriel incompetente!
Qual foram as conseqüências deste ato? Foram muitas, tanto o padre quanto a mulher mudaram de cidade como já foi dito. Obviamente, também ficaram mal falados na cidade, mas quem dá bola para cristãos, pois são ótimos moralistas, nada mais do que isto. Mas a maior conseqüência deste ato, sou eu. O personagem-narrador desta história. Uma história cheia de aventuras desde o primeiro momento em que vim ao mundo.
Nasci no dia 11 de abril de 1980, nove meses após a ereção de cristo vendo meus pais treparem no altar de uma de suas casas. Fui batizado com o nome de Fiodor D. B., conhecido pela maioria das pessoas como Tonico. Dizem que nasci rindo em vez de chorando e que a enfermeira que me deu o meu primeiro banho era muito linda. Neste banho, a enfermeira fez o seguinte comentário: - Este vai ser dos bons, já ta de pau duro.
Fiquei no hospital por dois dias. Quando sai de lá, num Fiat 147, ano 79, da minha madrinha fui levado para a cidade de Lajeado, terra natal de meu pai, mas fiquei na casa da irmã de minha mãe. Fui batizado em Lajeado por padres amigos do meu pai. Depois do batizado fui para Santa Cruz do Sul ficar na casa da minha vovó, já que minha mãe resolveu encarar os comentários da cidade pequena. Na verdade fui fazer fortuna para meu vovô. Imagine, estou com 7 dias, chego numa cidade de descendentes alemães, pessoas super preconceituosas, meu avô tem um armazém, onde encontra-se de tudo para vender, desde cachaça até ferramentas para roça. A verdade é que virei ponto turístico de Santa Cruz do Sul, toda aquela alemoada preconceituosa queria ver o filho do padre. Meu avô viu a oportunidade de negócio e me colocou numa cadeirinha para bebê atrás do balcão, quem desejasse me ver, tinha que ir ao balcão fazer um pedido e assim meu avô ganhou rios de dinheiro. Quando faleceu deixou uma boa herança para cada filho, graças a mim. Meus tios nunca me ligam, nem no meu aniversário para dar parabéns, que falta de consideração. Tem até foto de uma placa na frente do armazém do meu avô com os seguintes dizeres: entre, compre e conheça o filho do padre.
Posso afirmar que o inicio de minha vida não tem nada de divino, e sim algo de pecaminoso. Filho de padre com uma beata virgem, que foi gerado no altar da Igreja, provocando sensações inéditas em Jesus e na “Virgem” Maria, depois viro atrativo turístico para gerar lucro para meu avô, riqueza material, algo que a Igreja sempre condenou. Sim, sou filho do pecado e para o pecado comecei a viver e nele sempre viverei. Este livro é prova da minha vida de pecado.
Religiosos que estão lendo minha autobiografia devem estar pensando – este já está no inferno. Garanto que não. Não consigo conceber um Deus tão babaca como o da Igreja Católica ou qualquer outro Deus já inventado. Melhor, não consigo aceitar a ideia de uma força superior. Caso ela exista, com certeza ela é inteligente para saber que fiz bom uso da vida, pois ela enxerga que sou um cara honesto, que sabe aproveitar o que melhor esta força criou. Uma força superior tem que ver em mim um benfeitor, pois minto pouco, roubar nunca, prejudicar alguém todos fazem, idolatrar o sexo é saber viver, rock é música dos Deuses, logo sou quase perfeito para ir para o céu.
Bom voltando à minha infância... Eu era um completo babaca, educado por um padre e uma beata ex-virgem, só poderia dar num filho puro e ingênuo. Ainda bem que fiz amigos do bem, amigos que me ensinaram palavrões e a masturbação, a popular e abençoada punheta. Para falar a verdade, meu pai ensinou sim alguns palavrões para mim, melhor, ensinou todos. Este dia foi lindo na minha vida. Ter um pai todo direitinho e um dia ele fala para você: - Filho, vamos com o pai buscar a dissertação de mestrado que mandei datilografar, saímos bem felizes em seu corcel. Chegamos à casa da datilografa. Ela diz: - Oi Walmor, ainda nem comecei a datilografar sua dissertação. Fala isto com um sorriso no rosto, o meu pai fecha o rosto, da cara de padre passa para uma cara de demônio e, neste momento, tenho aula mais importante da minha vida. Ele começa a recitar palavras desconhecidas e proibidas para mim. Começa assim: Sua Cadela, tenho que entregar esta dissertação daqui a três dias, queria revisar ela e nada ainda. Tu és uma puta com uma buceta rasgada de tanto caralho que entra nela, teu cú fede, tu és uma boqueteira profissional, sua tocadora de siririca, tu tens que se fudê mesmo. Sim, como isto já faz um vinte anos, esqueci uma boa parte das frases, mas garanto: as frases eram quase uma dissertação de mestrado, escrita com os mais refinados palavrões.
Este ser gerado aos pés de cristo, em cima da mesa do altar, foi motivo de fofocas, acusações, moralismos entre outras coisas. A mãe deste pecador teve que fugir para a capital do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, para dar a luz ao seu amado filho. O pai deste amado pecador foi transferido para o interior do Mato Grosso. E isto tudo ocorreu porque o amor, sentimento mais diabólico, venerado como o maior valor cristão, se fez presente no corpo do padre daquela paróquia e no corpo de uma bela jovem cristã frequentadora da igreja.
Imagine, como um homem e uma mulher não vão sucumbir a um sentimento tão diabólico, o mais tentador de todos. Por isso inventaram que o amor é cristão, pois não tem como fugir dele e, se não podemos fugir, logo é coisa de Deus. Mentira, amor é coisa do “Demo”. E quando afirmo que o amor é diabólico, não digo que o amor seja algo ruim, pelo contrário, o amor é maravilhoso, justamente, por ser diabólico, pois neste nobre sentimento encontramos a desculpa perfeita para descumprir a regra mais babaca do cristianismo, o celibato.
E foi isto que o mais nobre sentimento demoníaco fez no padre daquela paróquia, deu a desculpa perfeita para o padre dar uma “trepada”, dar uma rapidinha, trocar o óleo, resumindo, fazer sexo com sua amada. Já na linguagem dos cristãos moralistas fazer amor, fundirem-se em um só corpo, crescer e multiplicar.
Sim, foi um momento sublime de amor entre o casal. Casal proibido por sinal! Um momento que só cristo presenciou, talvez, o demônio também. Foi Jesus que viu a jovem moça entrar pela porta central da Igreja e fechá-la. Foi cristo que viu primeiro ela vestindo uma saia que ia um pouco abaixo dos joelhos e bem justa às curvas de seu corpo, foi Jesus que viu primeiro a bela mulher, usando uma blusa branca bem transparente, com botões que fechavam um pequeno pedaço da blusa, deixando aparecer a barriga e os salientes peitos. Foi Jesus que viu ela soltar o cabelo e balançar a cabeça num movimento provocante jogando os cabelos para o lado. Talvez tenha sido Jesus que tenha ficado de membro ereto primeiro, pois ele viu a beleza daquela mulher antes do padre, mas Jesus estava pregado na cruz e não podia possuir aquele corpo sedento por amor. Assim, Jesus conformou-se em ver o padre ser atacado, ver aqueles dois humanos se confundirem em uma só pessoa, pois mãos e os braços se entrelaçaram em volta dos corpos, as bocas molhadas uniram-se e para facilitar a união destes corpos, jogaram tudo que tinha na mesa do altar no chão e, em cima dela, se entregaram um ao outro. Com certeza, neste momento Jesus pensou, porque não fiz isso quando era homem. Fico imaginando o que a estátua da virgem Maria pensou ao ver esta cena, talvez algo como, porque não fiz isso? Por que sou virgem? Anjo Gabriel incompetente!
Qual foram as conseqüências deste ato? Foram muitas, tanto o padre quanto a mulher mudaram de cidade como já foi dito. Obviamente, também ficaram mal falados na cidade, mas quem dá bola para cristãos, pois são ótimos moralistas, nada mais do que isto. Mas a maior conseqüência deste ato, sou eu. O personagem-narrador desta história. Uma história cheia de aventuras desde o primeiro momento em que vim ao mundo.
Nasci no dia 11 de abril de 1980, nove meses após a ereção de cristo vendo meus pais treparem no altar de uma de suas casas. Fui batizado com o nome de Fiodor D. B., conhecido pela maioria das pessoas como Tonico. Dizem que nasci rindo em vez de chorando e que a enfermeira que me deu o meu primeiro banho era muito linda. Neste banho, a enfermeira fez o seguinte comentário: - Este vai ser dos bons, já ta de pau duro.
Fiquei no hospital por dois dias. Quando sai de lá, num Fiat 147, ano 79, da minha madrinha fui levado para a cidade de Lajeado, terra natal de meu pai, mas fiquei na casa da irmã de minha mãe. Fui batizado em Lajeado por padres amigos do meu pai. Depois do batizado fui para Santa Cruz do Sul ficar na casa da minha vovó, já que minha mãe resolveu encarar os comentários da cidade pequena. Na verdade fui fazer fortuna para meu vovô. Imagine, estou com 7 dias, chego numa cidade de descendentes alemães, pessoas super preconceituosas, meu avô tem um armazém, onde encontra-se de tudo para vender, desde cachaça até ferramentas para roça. A verdade é que virei ponto turístico de Santa Cruz do Sul, toda aquela alemoada preconceituosa queria ver o filho do padre. Meu avô viu a oportunidade de negócio e me colocou numa cadeirinha para bebê atrás do balcão, quem desejasse me ver, tinha que ir ao balcão fazer um pedido e assim meu avô ganhou rios de dinheiro. Quando faleceu deixou uma boa herança para cada filho, graças a mim. Meus tios nunca me ligam, nem no meu aniversário para dar parabéns, que falta de consideração. Tem até foto de uma placa na frente do armazém do meu avô com os seguintes dizeres: entre, compre e conheça o filho do padre.
Posso afirmar que o inicio de minha vida não tem nada de divino, e sim algo de pecaminoso. Filho de padre com uma beata virgem, que foi gerado no altar da Igreja, provocando sensações inéditas em Jesus e na “Virgem” Maria, depois viro atrativo turístico para gerar lucro para meu avô, riqueza material, algo que a Igreja sempre condenou. Sim, sou filho do pecado e para o pecado comecei a viver e nele sempre viverei. Este livro é prova da minha vida de pecado.
Religiosos que estão lendo minha autobiografia devem estar pensando – este já está no inferno. Garanto que não. Não consigo conceber um Deus tão babaca como o da Igreja Católica ou qualquer outro Deus já inventado. Melhor, não consigo aceitar a ideia de uma força superior. Caso ela exista, com certeza ela é inteligente para saber que fiz bom uso da vida, pois ela enxerga que sou um cara honesto, que sabe aproveitar o que melhor esta força criou. Uma força superior tem que ver em mim um benfeitor, pois minto pouco, roubar nunca, prejudicar alguém todos fazem, idolatrar o sexo é saber viver, rock é música dos Deuses, logo sou quase perfeito para ir para o céu.
Bom voltando à minha infância... Eu era um completo babaca, educado por um padre e uma beata ex-virgem, só poderia dar num filho puro e ingênuo. Ainda bem que fiz amigos do bem, amigos que me ensinaram palavrões e a masturbação, a popular e abençoada punheta. Para falar a verdade, meu pai ensinou sim alguns palavrões para mim, melhor, ensinou todos. Este dia foi lindo na minha vida. Ter um pai todo direitinho e um dia ele fala para você: - Filho, vamos com o pai buscar a dissertação de mestrado que mandei datilografar, saímos bem felizes em seu corcel. Chegamos à casa da datilografa. Ela diz: - Oi Walmor, ainda nem comecei a datilografar sua dissertação. Fala isto com um sorriso no rosto, o meu pai fecha o rosto, da cara de padre passa para uma cara de demônio e, neste momento, tenho aula mais importante da minha vida. Ele começa a recitar palavras desconhecidas e proibidas para mim. Começa assim: Sua Cadela, tenho que entregar esta dissertação daqui a três dias, queria revisar ela e nada ainda. Tu és uma puta com uma buceta rasgada de tanto caralho que entra nela, teu cú fede, tu és uma boqueteira profissional, sua tocadora de siririca, tu tens que se fudê mesmo. Sim, como isto já faz um vinte anos, esqueci uma boa parte das frases, mas garanto: as frases eram quase uma dissertação de mestrado, escrita com os mais refinados palavrões.

