SINUCA
- uma porção de carne firme e redonda como aperitivo amaldiçoado –
- uma porção de carne firme e redonda como aperitivo amaldiçoado –
Dois de agosto de 2009, numa tarde chuvosa de domingo, fui amaldiçoado. Parecia ser um fim de domingo chuvoso e chato. Uma tarde monótona, sem pretensão de grandes acontecimentos. Tudo indicava que a maior diversão seria ajudar meu amigo a buscar um quadro numa loja do shopping e admirar alguns belos corpos femininos que desfilavam por este prédio comercial. Ledo engano, o final do domingo foi muito mais do que isto. Depois de buscar o quadro, eu e meu amigo passamos na casa de umas amigas e resolvemos sair para jogar sinuca na rua da boemia porto-alegrense. Garanto com toda convicção, de todos os jogadores do meu grupo de amigos, com certeza, eu era o melhor, mas o melhor disparado.
Até aquele momento, tudo continuava normal. Eram dois homens e quatro mulheres. Montamos dois trios e começamos a jogar. Joguei as duas primeiras partidas com calma, sem grandes jogadas, para o time adversário ter alguma chance. Mesmo com minha modéstia, acabamos ganhando de forma natural, pois as duas mulheres que jogavam melhor ficaram no meu time.
Quando começamos a terceira rodada, vem o grande acontecimento do domingo. Estava eu posicionado para jogar, ou seja, agachado sobre a mesa de sinuca mirando com o taco a bola branca para esta bola bater em outra bola com numeração superior a 8, para esta bola de numeração superior a 8 entrar em uma caçapa, quando surge a maldição. Um grande e tentador pedaço de carne se apresenta a minha frente, também agachado sobre a mesa de sinuca em frente a minha. Este pedaço de carne era redondo e firme. E era um pedaço de carne grande. Um pedaço de carne que só traz um pensamento para a cabeça de um homem de verdade, um homem como eu - tenho que fazer churrasco com esta carne, ou seja, tenho que espetar esta carne. Neste momento minha cabeça ficou confusa e dúvidas surgiram - Tento colocar a bolinha no buraco? Tento colocar o taco no buraco? Que buraco? O que eu coloco no buraco? Onde estou? Cheguei no paraíso?
Não cheguei, estava vivo e agachado sobre uma mesa de sinuca, admirando uma verdadeira obra da natureza. Obra que me amaldiçoou, levou embora toda minha concentração, fez meu corpo estourar em calor, ficando perdido. E mesmo que eu não olhasse para a bunda, só a bunda vinha na minha cabeça. E, a partir deste momento, não acertava mais nenhuma bola na caçapa, pois a caçapa que almejava não estava na mesa e nem desejava preencher com bolas coloridas. Imaginava outro pedaço de carne, mais exatamente um músculo, invadindo a almejada caçapa.
Pior foi quando acabei de olhar a bunda, naquele momento inesquecível que levarei para o túmulo comigo. Olhei para o lado e vi meu amigo e minhas amigas olhando minha cara de tarado, babar por aquele pedaço suculento de carne. A reação deles, óbvio, foi de zombaria e a minha, bom, a minha foi de constrangimento. Mas uma certeza tenho: na minha admiração por estes belos montes carnudos meus amigos viram a verdadeira felicidade estampada na minha cara. Pena este momento de alegria ter representado o empate do jogo. Talvez o resultado mais justo para um grupo de amigos.
Talvez a bunda seja só uma desculpa sem sentido para deixarmos o empate acontecer, mas é uma bela desculpa, válida e inteligente, pois qual homem não fica encantado por uma bela porção de carne firme e redonda sendo exibida sobre uma mesa, mesmo que seja sobre uma mesa de sinuca.
Até aquele momento, tudo continuava normal. Eram dois homens e quatro mulheres. Montamos dois trios e começamos a jogar. Joguei as duas primeiras partidas com calma, sem grandes jogadas, para o time adversário ter alguma chance. Mesmo com minha modéstia, acabamos ganhando de forma natural, pois as duas mulheres que jogavam melhor ficaram no meu time.
Quando começamos a terceira rodada, vem o grande acontecimento do domingo. Estava eu posicionado para jogar, ou seja, agachado sobre a mesa de sinuca mirando com o taco a bola branca para esta bola bater em outra bola com numeração superior a 8, para esta bola de numeração superior a 8 entrar em uma caçapa, quando surge a maldição. Um grande e tentador pedaço de carne se apresenta a minha frente, também agachado sobre a mesa de sinuca em frente a minha. Este pedaço de carne era redondo e firme. E era um pedaço de carne grande. Um pedaço de carne que só traz um pensamento para a cabeça de um homem de verdade, um homem como eu - tenho que fazer churrasco com esta carne, ou seja, tenho que espetar esta carne. Neste momento minha cabeça ficou confusa e dúvidas surgiram - Tento colocar a bolinha no buraco? Tento colocar o taco no buraco? Que buraco? O que eu coloco no buraco? Onde estou? Cheguei no paraíso?
Não cheguei, estava vivo e agachado sobre uma mesa de sinuca, admirando uma verdadeira obra da natureza. Obra que me amaldiçoou, levou embora toda minha concentração, fez meu corpo estourar em calor, ficando perdido. E mesmo que eu não olhasse para a bunda, só a bunda vinha na minha cabeça. E, a partir deste momento, não acertava mais nenhuma bola na caçapa, pois a caçapa que almejava não estava na mesa e nem desejava preencher com bolas coloridas. Imaginava outro pedaço de carne, mais exatamente um músculo, invadindo a almejada caçapa.
Pior foi quando acabei de olhar a bunda, naquele momento inesquecível que levarei para o túmulo comigo. Olhei para o lado e vi meu amigo e minhas amigas olhando minha cara de tarado, babar por aquele pedaço suculento de carne. A reação deles, óbvio, foi de zombaria e a minha, bom, a minha foi de constrangimento. Mas uma certeza tenho: na minha admiração por estes belos montes carnudos meus amigos viram a verdadeira felicidade estampada na minha cara. Pena este momento de alegria ter representado o empate do jogo. Talvez o resultado mais justo para um grupo de amigos.
Talvez a bunda seja só uma desculpa sem sentido para deixarmos o empate acontecer, mas é uma bela desculpa, válida e inteligente, pois qual homem não fica encantado por uma bela porção de carne firme e redonda sendo exibida sobre uma mesa, mesmo que seja sobre uma mesa de sinuca.
por Fiódor DB



