quinta-feira, 13 de agosto de 2009

SINUCA - uma porção de carne firme e redonda como aperitivo amaldiçoado –

SINUCA
- uma porção de carne firme e redonda como aperitivo amaldiçoado –
Dois de agosto de 2009, numa tarde chuvosa de domingo, fui amaldiçoado. Parecia ser um fim de domingo chuvoso e chato. Uma tarde monótona, sem pretensão de grandes acontecimentos. Tudo indicava que a maior diversão seria ajudar meu amigo a buscar um quadro numa loja do shopping e admirar alguns belos corpos femininos que desfilavam por este prédio comercial. Ledo engano, o final do domingo foi muito mais do que isto. Depois de buscar o quadro, eu e meu amigo passamos na casa de umas amigas e resolvemos sair para jogar sinuca na rua da boemia porto-alegrense. Garanto com toda convicção, de todos os jogadores do meu grupo de amigos, com certeza, eu era o melhor, mas o melhor disparado.
Até aquele momento, tudo continuava normal. Eram dois homens e quatro mulheres. Montamos dois trios e começamos a jogar. Joguei as duas primeiras partidas com calma, sem grandes jogadas, para o time adversário ter alguma chance. Mesmo com minha modéstia, acabamos ganhando de forma natural, pois as duas mulheres que jogavam melhor ficaram no meu time.
Quando começamos a terceira rodada, vem o grande acontecimento do domingo. Estava eu posicionado para jogar, ou seja, agachado sobre a mesa de sinuca mirando com o taco a bola branca para esta bola bater em outra bola com numeração superior a 8, para esta bola de numeração superior a 8 entrar em uma caçapa, quando surge a maldição. Um grande e tentador pedaço de carne se apresenta a minha frente, também agachado sobre a mesa de sinuca em frente a minha. Este pedaço de carne era redondo e firme. E era um pedaço de carne grande. Um pedaço de carne que só traz um pensamento para a cabeça de um homem de verdade, um homem como eu - tenho que fazer churrasco com esta carne, ou seja, tenho que espetar esta carne. Neste momento minha cabeça ficou confusa e dúvidas surgiram - Tento colocar a bolinha no buraco? Tento colocar o taco no buraco? Que buraco? O que eu coloco no buraco? Onde estou? Cheguei no paraíso?
Não cheguei, estava vivo e agachado sobre uma mesa de sinuca, admirando uma verdadeira obra da natureza. Obra que me amaldiçoou, levou embora toda minha concentração, fez meu corpo estourar em calor, ficando perdido. E mesmo que eu não olhasse para a bunda, só a bunda vinha na minha cabeça. E, a partir deste momento, não acertava mais nenhuma bola na caçapa, pois a caçapa que almejava não estava na mesa e nem desejava preencher com bolas coloridas. Imaginava outro pedaço de carne, mais exatamente um músculo, invadindo a almejada caçapa.
Pior foi quando acabei de olhar a bunda, naquele momento inesquecível que levarei para o túmulo comigo. Olhei para o lado e vi meu amigo e minhas amigas olhando minha cara de tarado, babar por aquele pedaço suculento de carne. A reação deles, óbvio, foi de zombaria e a minha, bom, a minha foi de constrangimento. Mas uma certeza tenho: na minha admiração por estes belos montes carnudos meus amigos viram a verdadeira felicidade estampada na minha cara. Pena este momento de alegria ter representado o empate do jogo. Talvez o resultado mais justo para um grupo de amigos.
Talvez a bunda seja só uma desculpa sem sentido para deixarmos o empate acontecer, mas é uma bela desculpa, válida e inteligente, pois qual homem não fica encantado por uma bela porção de carne firme e redonda sendo exibida sobre uma mesa, mesmo que seja sobre uma mesa de sinuca.
por Fiódor DB

Elogio da Madrasta - As abluções de Dom Rigoberto

Elogio da madrasta
Mario Vargas Llosa

Quando jovem tinha sido militante entusiasta da Ação Católica e sonhado mudar o mundo. Logo entendeu que, como todos os ideais coletivos, aquele era um sonho impossível, condenado ao fracasso. Seu espírito prático o induziu a não perder tempo travando batalhas que mais cedo ou mais tarde ia perder. Conjeturou então que o ideal de perfeição talvez fosse possível para o indivíduo isolado, restrito a uma esfera limitada no espaço (o asseio ou higienização corporal, por exemplo, ou a prática erótica e no tempo (as abluções e borrifamentos noturnos de antes de dormir).
Tirou o roupão, pendurou-o atrás da porta e só de pantufas, nu foi se sentar no vaso, separado do resto do banheiro por um biombo laqueado com umas figurinhas dançantes em cor celeste. Suas vísceras eram um relógio suíço: disciplinadas e pontuais, sempre se esvaziavam a essa hora, totalmente e sem esforço, como se estivessem felizes de se desembaraçar das apólices e problemas do dia. Desde que, na mais secreta decisão da sua vida - de fato -, decidiu durante um breve fragmento de cada dia, ser perfeito, e arquitetou essa cerimônia, nunca mais padeceu as asfixiantes constipações nem as desmoralizantes diarréias.
Dom Rigoberto entrecerrou os olhos e fez pressão, suavemente. Não era preciso mais nada: sentiu de imediato a comichão benfeitora no reto e a sensação de que, lá dentro, nos vãos do baixo ventre, algo submisso se dispunha a partir e já transitava por aquela porta de saída que, para facilitar a passagem, se alargava. O ânus, por sua vez, tinha começado a se dilatar, antecipando, preparando-se para concluir a expulsão do expulso, para depois se fechar e comprimir, com suas mil ruguinhas, como se estivesse caçoando: “Deu o fora, sacana, e nunca mais vai voltar.”
Dom Rigoberto sorriu, contente. “Cagar, defecar, excretar, sinônimos de gozar?”, pensou. Sim, por que não. Desde que seja feito devagar e concentrado, degustando a tarefa, sem menor pressa, prolongando, provocando um estremecimento suave e sustentado nos músculos do instestino....

Elogio da Madrasta - Candaules, rei da Lídia

Sou Candaules, rei da Lídia, pequeno país situado entre a Jônia e a Cária, no coração daquele território que séculos mais tarde irão chamar de Turquia. O que mais me orgulha no meu reino não são suas montanhas rachadas pela secura nem seus pastores de cabras que, quando é preciso, enfrentam os invasores frígios e eólios e os dórios vindos da Ásia, derrotando-os, e os bandos de fenícios, lacedemônios e os nômades escitas que vêm pilhar nossas fronteiras, mas sim a garupa de Lucrecia, minha mulher.
Digo e repito: a garupa. Não traseiro, nem bunda, nem nádegas nem rabo, e sim garupa. Porque quando eu a cavalgo, a sensação que me arrebata é essa: a de estar sobre uma égua musculosa e aveludada, puro nervo e docilidade. É uma garupa dura e talvez tão enorme como dizem as lendas sobre ela, que correm pelo reino inflamado a fantasia dos meus súditos. (Todas elas chegam aos meus ouvidos mas não me irritam, antes me lisonjeiam.) Quando ordeno que ela se ajoelhe e beije o tapete com sua testa, de maneira que eu possa examiná-la à vontade, o precioso objeto alcança o seu mais feiticeiro volume. Cada hemisfério é um paraíso carnal; ambos, separados por uma delicada fenda de pêlo quase imperceptível que se afunda no bosque de brancuras, negrumes e sedosidades embriagadoras que coroam as firmes colunas das coxas, me fazem pensar num altar daquela região bárbara dos babilônios que a nossa extinguiu. É dura ao tato e doce aos lábios; vasta no abraço e cálida nas noites frias, um travesseiro macio para repousar a cabeça e uma fonte de prazeres no momento do assalto amoroso. Penetrá-la não é fácil; até doloroso, a princípio, e mesmo heróico pela resistência que suas carnes rosadas opõem ao ataque viril. São necessárias uma vontade tenaz e uma vara profunda e perseverante, que não esmorecem diante de nada nem de ninguém, como as minhas.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Meu Nome é Vermelho


Meu nome é vermelho, foi prêmio Nobel de Literatura em 2006. Este livro apresenta uma narrativa inovadora com dezenove personagens (como cavalos, árvores e moedas) contando a história que retrata o choque das culturas Oriental e Ocidental no início do Renascimento cultural para os Ocidentais.

Trecho da obra:
Capitulo 19 – Eu, o Dinheiro.
OBS. Quem narra este trecho é uma moeda.

“Porque, a despeito das calúnias gratuitas, de todas essas farpas dolorosas, vejo que a maioria das pessoas olha para mim com uma afeição profunda e sincera. Nesses tempos de maldade, creio que todas nós deveríamos nos regozijar com esse afeto sincero e até apaixonado.
Passei, pois, por todas as mãos, de judeus e árabes, de mingrelianos e abkhazes, conheci cada ruela, cada bairro, cada polegada de Istambul, antes de sair da cidade na bagagem de um hodja, que vinha de Andrinopla e ia para Manisa. Na estrada, é atacado por salteadores. Um deles grita: “A bolsa ou a vida?” Apavorado, o pobre hodja me esconde onde imagina que eu estaria mais segura: dentro do cu! Esse lugar fedia mais que a boca do apreciador de alho, além de ser nitidamente menos sossegado, porque a situação azedou quando, em vez da “a bolsa ou a vida?”, os bandoleiros passaram a dizer: “a honra ou a vida?”. Puseram-se em fila e entraram em meu esconderijo, um depois do outro. Prefiro não contar os ultrajes que sofri, metida naquele buraco apertado. È por isso que detesto sair de Istambul.”

PAMUK, Orhan. Meu nome é vermelho. Ed. Companhia das Letras,2004.


sábado, 4 de julho de 2009

Trilogia Suja de Havana

“Ali perto mora Margarita. Fazia um bom tempo que não a via.Quando cheguei, ela estava lavando roupa e suava. Ficou contente e foi tomar banho. Éramos namorados furtivos – não me levem a mal, tenho que dizer de algum jeito – havia quase vinte anos e, quando nos vemos, trepamos primeiro e depois conversamos bem relaxados. Por isso não a deixei tomar banho. Tirei a roupa e lhe passei a língua de alto a baixo. Ela fez o mesmo: tirou minha roupa e me passou a língua de alto a baixo. Eu também estava muito suado de tanta bicicleta e tanto sol. Ela parecia recuperada e engordando. Não estava mais pálida. Tinha a nádegas duras, redondas e sólidas de novo, apesar de seus quarenta seis anos. Os negros são assim. Cheios de fibras e músculos, com muita pouca gordura, e uma pele limpa, sem espinhas. Ah, não resisti à tentação e, depois de um bom tempo brincando, ela já tivera três orgasmos, fui enrabá-la. Lentamente, com o pau bem molhado de líquidos da vagina. Pouco a pouco. Metendo e tirando e masturbando o clitóris com a mão. Ela esperneava de dor, mas me pedia que metesse até o talo. Essa mulher é fabulosa. Nenhuma outra goza mais que ela. Assim ficamos unidos por muito tempo. Quando tirei o pau, estava melado de merda e ela sentiu nojo. Eu não. Eu tinha o cínico alerta, não dormia nunca. O sexo não é para gente escrupulosa. O sexo é um intercâmbio de líquidos, de fluidos, hálito e aromas fortes, urina, sêmen, merda, suor, micróbios, bactérias. Ou não é. Se for apenas ternura e espiritualidade etérea, não passa de uma paródia estéril do que poderia ser. Nada.”

Pedro Juana Gutiérrez, Trilogia Suja de Havana

sábado, 9 de maio de 2009

SOLIDÃO E OS CHATOS QUE SÃO LEGAIS

Queria saber de todas as pessoas estudiosas que buscam novas formas de entender o nosso mundo nas diversas áreas do conhecimento como História, filosofia, literatura e outras mais, também sentem solidão. Sim solidão! Porque grande parte das pessoas não estão em busca destes conhecimentos, preferem a banalidades do cotidiano. Alguns até dizem procurar o conhecimento, mas só dizem, alguns são os “intelectuais” de livros de auto-ajuda com frases sem sentido e irritantes. Neste contexto eu, acabo sentindo solidão, pois as conversas sempre são alienadas, sempre uma mesmice, só com piadas e historinhas engraçadas. E o algo mais falta. Quando procuro falar algo mais sério, as pessoas me olham e falam - lá vem o intelectual mala.
Eu, o “chato”, sou o mais legal com certeza, e os “legais” são os mais chatos, pois os chatos que não possuem conhecimento dizem possuir assuntos legais que são sempre repetitivos e aquele que estuda virá um mala por ter diversos assuntos e opiniões. Um ser mais moralista, diria - isto é uma inversão de valores da nossa sociedade, por isso tudo esta ruim. Acho esta explicação simplista. Tenho certeza que isto não ocorre por uma inversão de valores da nossa sociedade “pós-moderna”, mas isto acontece porque não investimos mais na educação. A educação é muito perigosa para um país onde existe uma corja de políticos ladrões que desejam manter seu poder eterno.Quem consegue enxergar isto, eu o “mala junto com outros malas” que somos os verdadeiros legais.
Quando vou falar, refletir, opinar sobre qualquer assunto, sou o intelectual mala, que provavelmente só será valorizado postumamente. Não considero nos estudiosos mais inteligentes, considero nos mais espertos, pois achamos uma outra forma de explicar o mundo. Dificilmente, alguém vai conseguir achar isto legal, pois a riqueza, o poder, a popularidade não passa pela reflexão intelectual. Ser intelectual, não é ser mais inteligente, mas com certeza é ser mais crítico. E esta visão mais crítica, acaba afastando eu e os outros estudiosos das demais pessoas “legais” que são chatas, ou eu e os outros estudiosos acabamos afastados das pessoas por não agüentarem mais os “chatos” que são legais. E isto acaba gerando solidão.
A solidão, que faz eu buscar mais conhecimentos e ficar mais “chato” e ficar longe dos “legais”, possui um caráter positivo, neste momento, embora a palavra solidão tenha um caráter negativo em nossa sociedade. Ainda assim, sinto vontade de encontrar semelhantes estudiosos, para poder trocar minhas idéias, ter contrapontos e novas visões, por que eu e os demais chatos vivemos na solidão, mas não a amamos. A solidão pode até ser uma espécie de inspiração, mas ela é uma aflição muitas vezes. Pois nos homens já dizia Aristóteles, “somos animais sociais”, por isso precisamos de sociabilidade para discutir e a aprofundar nossas reflexõe.
Solicito, pessoas estudiosas, apareçam, preciso escutar vocês e preciso, também, me socializar. Por favor, opiniões, críticas! Pois sempre vou adorar ser um “chato” que é legal.

sábado, 2 de maio de 2009

Filme - O Leitor

O filme, "O Leitor", além de tratar de literatura, é um filme que faz uma leitura muito boa sobre o Nazismo e as pessoas que acabaram obrigadas a praticarem atos de crueldade para não serem mortas na Almenha de Hitler. É um filme envolvente e com uma boa hisória. Um filme com uma produção muito melhor que a do Filme, "Quem quer ser Milionário?", que recebeu o oscar de melhor filme, que na minha opinião é um bom filme e vale a pena se assistido, mas não é filme para Oscar. O Oscar deveria ser do filme "O leitor".

By Fiódor

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Vargas Llosa

TRAVESSURAS DA MENINA MÁ
Mario Vargas Llosa

"- Faça me gozar, primeiro –sussurrou, num tom que escondia uma ordem. – Com a boca. Depois vai ser mais fácil entrar. Nem pense em gozar ainda. Gosto de me sentir irrigada.
Falava com tanta frieza que não parecia uma garota fazendo amor e sim um médico dando uma descrição técnica e alheia ao prazer. Não me importava, eu estava totalmente feliz, como não me sentia há muito tempo, talvez nunca antes. “Jamais vou poder retribuir tanta felicidade, menina má.” Fiquei um bom tempo com os lábios esmagados contra seu sexo franzido, sentindo os pêlos pubianos me fazendo cócegas no nariz, lambendo com avidez, com ternura, seu clitóris pequenino, até que a senti movimentar-se, excitada, e explodir com um tremor no baixo-ventre e nas pernas.
- Mete, agora – sussurrou, com a mesma vozinha mandona.
Dessa vez também não foi fácil. Ela era estreita, se encolhia, resistia, reclamva, até que finalmente consegui. Senti meu sexo sendo fraturado por aquela víscera palpitante que o estrangulava. Mas era uma dor maravilhosa, uma vertigem em que me submergia, trêmulo. Ejaculei quase imediatamente.
- Você goza muito rápido –reclamou a senhora Arnoux, puxando meus cabelos. – Precisa aprender a demorar mais, se quiser me fazer gozar.
Aprendo tudo o que você quiser, guerrilheira, mas agora cale-se e me beije."